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sábado, 22 de junho de 2013

Praticagem milionária no Brasil!

O número de passageiros que viajam em cruzeiros marítimos no Brasil está diminuindo. Segundo dados recém-divulgados pela Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (Clia Abremar Brasil), na última temporada, que começou em novembro de 2012 e se encerrou no mês passado, os navios que percorreram a costa brasileira transportaram 732.163 passageiros, 9% menos que na temporada de 2011/2012, quando foram registrados mais de 805 mil passageiros.

Uma das razões que explicam a redução é que a costa do país também recebeu um número menor de transatlânticos: foram 15, contra 17 na temporada anterior e 20 de 2010/2011. Para o presidente de Abremar, Ricardo Amaral, a falta de infraestrutura e o alto custo de operação no Brasil têm afugentado as empresas, que preferem levar suas embarcações para destinos mais estruturados e mais baratos.

“O navio se move, e as companhias sempre vão buscar a opção que traga mais satisfação e menor preço. O custo de operação aqui é maior do que na maioria dos itinerários pelo mundo. Chega a ser três vezes maior do que na Europa, por exemplo”, afirma. Esses custos incluem desde o valor da praticagem (operações de manobra de entrada e saída em portos) e da taxa de embarque até os gastos com combustível, abastecimento de água e retirada de lixo. Amaral acrescenta o ônus de alguns impostos que incidem sobre a operação de cruzeiros marítimos e que não são cobrados em outros destinos. Segundo um levantamento da associação, o porto de Salvador cobra pela praticagem US$ 109.707,80 (cerca de R$ 222 mil), 519% a mais do que o de Pequim e 2.789% a mais do que o de Barcelona. O preço é referente a duas manobras, de entrada e saída, para navios com até 137 mil toneladas. O porto de Santos, o segundo mais caro, cobra US$ 44.799 (mais de R$ 90 mil) e o de Ilhabela, US$ 37.675 (mais de R$ 76 mil). Os valores são mais altos do que os cobrados em portos de cidades como Nova York, Miami, Sydney, Montevidéu, Valparaíso e Veneza.

Congestionamento de transatlânticos
Segundo Ricardo Amaral, o problema da falta de infraestrutura ficou mais evidente depois que o número de cruzeiros explodiu no país, de 2000 a 2009 – apenas entre 2004 e 2009, por exemplo, o número de embarcações subiu de seis para 18. “Quando tínhamos só dois ou três navios, o país era visto como destino exótico, então as falhas eram relevadas. Quando o número de navios cresceu de forma exponencial, os problemas também se multiplicam de forma exponencial”, diz.

Ele cita o caso de um congestionamento que ocorreu na última temporada, que obrigou dois navios a se revezarem em um porto. A duração do visto de trabalho dos tripulantes, que é de quatro meses e por isso não abrange toda a temporada, é outro entrave, na opinião de Amaral. De acordo com a Abremar, além da Europa e do Caribe, outros destinos que estão competindo com o Brasil pelos navios são Argentina e Austrália, que têm temporada na mesma época que o verão brasileiro. Apesar de o Brasil superá-los no ranking mundial do mercado de cruzeiros – o país é o quinto em número de passageiros --, ambos têm registrado número crescente de cruzeiristas.

Os dados de pacotes vendidos por operadoras de viagem brasileiras no ano passado confirmam a tendência. Segundo o anuário da Braztoa (Associação Brasileira de Operadoras de Turismo), em 2012, a venda de pacotes para cruzeiros internacionais cresceu 18%, enquanto a venda para os cruzeiros nacionais caiu 15%. Com isso, a participação nesse mercado das vendas dos navios que circulam fora do Brasil está crescendo. Enquanto em 2010 as diárias nos cruzeiros internacionais eram responsáveis por 15% do mercado, em 2012 essa participação cresceu para 23%. A Abremar prevê que a próxima temporada também registrará números decrescentes. Segundo a associação, o impacto direto e indireto do setor de cruzeiros marítimos na economia do país é de R$ 1,4 bilhão.

MP dos Portos
Aprovada pelo Senado na quinta-feira (16), a Medida Provisória 595/2012, conhecida como MP dos Portos, é citada pelo governo como uma das providências que podem melhorar a situação do setor de cruzeiros no Brasil. “Um dos objetivos dessa medida é aumentar a concorrência e a quantidade de portos. Isso vai melhorar os custos. O caminho é a competição”, afirma Flávio Dino, presidente da Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo), órgão ligado ao Ministério do Turismo.

Para Dino, a redução no número de passageiros em cruzeiros nacionais é uma “flutuação normal do mercado”. “Houve uma explosão no número de cruzeiros e depois houve um desinteresse do mercado interno”, diz. Ele afirma que a Embratur está investindo para captar novas rotas e navios, assim como mais passageiros internacionais, principalmente aqueles que vêm dos países do Mercosul. “Estamos focando nos países vizinhos por conta da facilidade de deslocamento. Não é todo mundo que se dispõe a cruzar o oceano para fazer um cruzeiro”, diz.

Dos turistas que navegam nos cruzeiros pela costa do Brasil, cerca de 15% são estrangeiros. Segundo dados do governo, a maioria dos estrangeiros que fazem cruzeiro no Brasil vem da Argentina. Em seguida vêm os alemães, os norte-americanos, os italianos e os uruguaios. Segundo a Embratur, o o governo federal está investindo R$ 682 milhões em sete portos que podem servir de terminais de passageiros para cidades-sede da Copa do Mundo. A entrega está prevista para a época de realização da Copa.

Fonte: http://www.olhardireto.com.br/noticias/exibir.asp?noticia=Custo_afugenta_cruzeiros_da_costa_brasileira_e_n_de_passageiros_diminui&id=321036
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