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domingo, 11 de março de 2012

Leitores, e a Copa de 2014!?

Caros leitores, recentemente, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, fez duras críticas a organização da Copa de 2014 no Brasil, inclusive a subsede amazônica, Manaus. Segue um resumo das críticas feitas:
- "não há muita coisa se mexendo", e que os organizadores precisavam levar "um chute no traseiro";
- "Não entendo por que as coisas não estão avançando. Os estádios não estão mais no prazo -e por que muitas coisas estão atrasadas? A preocupação é que nada é feito ou preparado para receber muita gente. Lamento dizer que as coisas não estão funcionando no Brasil". As obras do estádio em Porto Alegre, por exemplo, encontram-se paradas a quase um ano;
- "A gente deveria ter recebido documentos assinados em 2007, e estamos em 2012. Vocês precisam se pressionar, levar um chute no traseiro e fazer a Copa do Mundo", acrescentou Valcke. Ele disse que a Copa será mantida no Brasil, mas alertou que os torcedores podem sofrer;
- "Não há hotéis suficientes", acrescentou o secretário-geral da Fifa. "Você tem mais do que suficientes em São Paulo e no Rio de Janeiro, mas se você pensar em Manaus, precisa de mais. Digamos que você em Salvador tenha Inglaterra x Holanda, e você tenha 12 por cento do estádio com torcedores ingleses, e 12 por cento holandeses - são 24 por cento de 60 mil torcedores. Onde todos eles vão ficar? A cidade é bacana, mas a forma de chegar ao estádio e toda a organização de transporte precisa ser melhorada.";
O governo brasileiro reajiu como de custume, disse que tudo dará certo e se sentiu ofendido, como uma criança pega em delito. Concordo que a linguagem usada pela Fifa não foi a mais adequada, afinal, diz um ditado, "a sinceridade, sem as regras da polidez, é grosseria". Segundo o Ministro do Esporte, Aldo Rebelo, "a Fifa é uma entidade privada, ela não quer a mesma coisa que nós da Copa. Eles visam lucro. Eu quero ingresso para indígena assistir aos jogos em Manaus, quero que pessoas de baixa renda, como as beneficiadas pelo Bolsa Família, possam participar do evento. Então, temos que negociar". Também concordo que todos tem que ter acesso aos estádios, mas a lentidão do processo, para ganhar dividendos políticos, é inaceitável. Outro detalhe que o ministro esqueceu é da qualidade, não adianta termos a garantia que milhões de brasileiros terão ingresso para os jogos, se não conseguiremos condições dignas para estas pessoas irem a estes locais. Lembrando que indígenas vivem em aldeias e população que é beneficiada pelo Bolsa Família, a maioria, vive nas perifeiras das grandes cidades. O ministro ainda não se perguntou como vai transportar estes milhões de pessoas? Considerando que atual estrutura de transporte público das cidades é, na melhor das hispóteses, razoável.
E os prazos, serão cumpridos? Sinceramente, caros leitores, estamos em 2012, e a Copa é daqui a 2 anos, sendo em 2013 a Copa das Confederações, em pouco mais de 365 dias; fica difícil acreditar que estaremos prontos. Alguns pontos que precisam ser urgentemente pensados:
- Nossos serviços precisam ainda de muita qualificação e poucos governos tem programas de qualificação em andamento; e as exceções são poucos, como do governo do Pará e Amazonas que possuem programas de qualificação em andamento;
- Inflacionamento dos serviços turísticos: passagens aéreas, diárias de hotel, serviços de receptivo em muitos estados estão tendo aumentos abusivos. Alguns exemplos: em Fortaleza, as diárias médias dos hotéis mesmo em pousadas simples, que a poucos anos custavam pouco mais de R$ 80,00 reais, agora estão na faixa de R$ 130,00; passagens aéreas, tirando os períodos promocionais, para alguns destinos, estão altíssimas; em Belém, no Pará, um passeio de praia pode custar mais de R$ 180,00 reais por pessoa, chegando a extratosféricos R$ 320,00 reais, sem um grande diferecial;
- Os aeroportos são outra preocupação: as obras em Manaus ainda não começaram; em Guarulhos, o maior terminal de chegadas internacionais do Brasil, não há espaço para novos voos em muitos horários e a previsão de inauguração do novo terminal (T3), somente em 2014; as políticas públicas estão voltadas para os grandes terminais do Brasil, existem muitas cidades do interior que também vão receber voos, mas não há muito planejamento e projetos em exeução para estas áreas;
- Estruturação de produtos: precisamos ter produtos e serviços certificados/qualificados para receber turistas extrangeiros, neste momento, muitas ações do Programa Roteiros do Brasil, do Ministério do Turismo, estão paradas; sem falar nas infraestruturas para operação destes produtos;

Bem, caros leitores, o ministro, que apareceu recentemente sorrindo nas obras do estádio do Maracanã, devia estar preocupado, junto com as demais esferas de governo, com a vergonha que vamos passar caso parte destes problemas não sejam sanados.
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